sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O Vale de Ossos Secos

Ezequiel 37. 1-14 (Leitura)

O nome Ezequiel significa “EL” que quer dizer (Deus é forte) ou (Deus fortalece). Ele viveu durante um dos períodos mais difíceis na história judaica – O EXÍLIO BABILÔNICO. Ezequiel foi um dos 10.000 judeus que foram levados de Jerusalém durante o reinado de Nabucodonosor em 597 a.C (2 Rs 24.10-17).

O Livro de Ezequiel pode ser dividido em três seções:

1. As profecias de juízo contra Judá (Ez 1 – 24)

2. As profecias contra as nações estrangeiras (Ez 25 – 32)

3. As profecias finais que são mensagens de esperança e restauração (Ez 33 – 48).

As duas últimas seções devem ser vistas juntas, como uma mensagem de esperança para Israel porque pronuncia a condenação das nações estrangeiras e possibilidade da restauração dos judeus.

A interpretação destas profecias deve ser feita de acordo com a ordem da seqüência de eventos históricos: Primeiro para anunciar o juízo (em 586 a.C) quando Jerusalém foi destruída pelos caldeus (Ez 24. 25-27); segundo, para transmitir a esperança e a restauração (Ez 25 a 48).

Mas, é a última seção que iremos nos deter. Onde fala do vale de ossos secos.

Nesta última seção, mais especificamente no cap. 37. 1-14 Deus dá uma visão ao profeta. Esta visão é de um vale cheio de ossos de pessoas, e não apenas isso, mortos há muito tempo, pois os ossos estavam sequíssimos.

Esta visão trazia uma triste realidade, pois Deus estava mostrando ao profeta a condição de seu povo. Um vale onde o cheiro de morte exalava por todos os lados, uma condição degradante derivado da corrupção do homem, mais especificamente da desobediência e do adultério do povo de Deus com deuses estranhos.

Quando Nabucodonosor invadiu Jerusalém, quem estava reinando era Joaquim, filho de Jeoaquim – Joaquim era o décimo nono rei de Judá, que reinou três meses em 598 a.C., depois de Jeoaquim, seu pai. Foi um mau rei, sendo levado preso para a Babilônia.

O que levou Deus a permitir que o povo fosse levado para o cativeiro foi a idolatria e o adultério do povo com outros deuses, e também por causa da maldade do coração do povo.

Os reis que havia reinado em Israel, quase todos tinham sido maus e fizeram aquilo que Deus não se agradava. E todo o povo seguia aquilo que seu rei estava propondo, por isso as pessoas pagavam um preço alto por causa das decisões de seu líder.

Bem, em meio a tantas desgraças, a tanta dor e sofrimento, a fidelidade de Deus para com seus filhos é anunciada, e tem por base a Graça.

Ao analisarmos a visão do vale de ossos secos percebemos que:

1 – Um vale cheio de ossos – vers. 1

É como um cemitério, porém os ossos estavam na superfície, e não debaixo da terra. O sinal da morte era visível, o sinal da separação.

2 – Eram mui numerosos e estavam sequíssimo - vers. 2

E bastante perceptível a condição natural dos ossos, pois não estavam apenas secos, mas estava sequíssimo.

Quando falamos sobre ossos secos, podemos olhar para o processo de cremação de um corpo. Bem, um forno adequado ao tamanho do corpo a ser cremado deve ser aquecido a mais ou menos 800cº e depois o corpo é colocado dentro do forno com caixão e tudo. Tudo é rapidamente queimado e torrado, mas não os ossos, eles não são queimados. E depois de tudo pega-se os ossos junto com o restante queimado e coloca-se em um moidor ou triturados onde os ossos secos serão triturados junto com o restante do corpo e do caixão e forma-se as cinzas que conhecemos. Ou seja, nem uma temperatura de 800cº pode fazer com que os ossos virem pó. Por isso, o tempo em que aquelas pessoas da visão de Ezequiel estavam mortas deveriam ser milhares de anos.


Se pensarmos em um cadáver jogado na superfície e em decomposição natural os ossos levaria décadas, senão séculos para chegar a um ponto de sequíssimo devido ao grau de resistência dos ossos e a temperatura diária de calor que recebiam.

Isso nos mostra a condição já antiga do povo de Deus em seu caminho de rebelião contra o seu Criador. A separação do povo e Deus era algo que já vinha acontecendo há muitos anos.

3 – Vers. 3 diz: “Então me perguntou: Filho do Homem, acaso, poderão reviver estes ossos? Respondi: Senhor Deus, tu o sabes”.

Nós vemos aqui neste vers. 3, que Deus provou a fé e a confiança do profeta nEle. Pois a resposta do profeta à pergunta feita por Deus demonstrou que havia confiança em Deus, e era isso que precisava para que o povo de Deus voltasse a se relacionar com Deus.

O profeta Ezequiel foi um dos homens na bíblia que falou muito sobre o surgimento de um Messias, e esta passagem é por muitos teólogos, interpretada desta forma. O termo Filho do Homem não só faz uma alusão a Cristo, como mostra o propósito da vinda de Cristo, trazer vida aos mortos por causa do pecado.

Vers. 4 – “Disse-me ele: Profetiza a estes ossos e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor”.

A restauração da vida começa com a Palavra de Deus, não há outro meio para que uma vida seja restaurada senão for por meio da Palavra de Deus.

Vers. 5 – “Assim diz o Senhor Deus a estes ossos: Eis que farei entrar o espírito em vós, e vivereis”.

Gênesis 2:7 “Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente”.

Aqui em Genesis 2.7 o homem ainda não havia pecado, pois Deus estava acabando de soprar em suas narinas o fôlego de vida. Ou seja, O homem estava acabando de receber VIDA (Deus, pois Deus não contém vida, Deus é a VIDA), e logo depois ele morreu ao desobedecer a ordenança de Deus.

Deus então mostrou a Ezequiel que ele iria dar vida novamente ao povo, vida que um dia eles tiveram e perderam por causa de desobediência e traição com outros deuses.

I Co 15. 21-26 “Visto que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. 22 Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo. 23 Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda. 24 E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder. 25 Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. 26 O último inimigo a ser destruído é a morte”.

A visão do vale de ossos secos tanto tem uma aplicação futura em longo prazo, como uma aplicação imediata. Pois o povo estava próximo de ser libertado do cativeiro e retornar para casa.

Mas a aplicação maior deste texto é justamente espiritual. As pessoas pensam que se refere apenas ao retorno do povo do cativeiro. Mas a maior referencia que este texto faz é sobre a missão do Filho de resgatar o povo de Deus.

Aqueles ossos secos a muito tempo, ou seja, aquelas pessoas que já haviam morrido (separado de Deus) já fazia muitos séculos, somos nós. São todos aqueles que Deus escolheu e que há uma promessa de ressurreição e vida.

Por isso o texto fala que eram mui numerosos. Mas ao mesmo tempo cabiam todos em um vale.

Mt 22.14 - “Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos”.

Ap 7. 8-9 - “Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; 10 e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação”.

A partir do verso 7 em diante, eu vejo uma reconstituição da cena da criação.

Gênesis 2:7 - “Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente”.

Primeiro Deus criou o corpo do homem com base no pó da terra, e eu acredito que Deus não fez um boneco de barro e o transformou em carne. Foi tudo ao mesmo tempo.

A visão fala de ossos sequíssimos, e não de carne podre. A carne já havia se tornado pó, e voltou do pó.

Esta visão também refere-se a ressurreição dos mortos na volta de Cristo. Cada osso ao seu osso, e a bíblia nos mostra algo semelhante.

Ap 20. 12-13 - “Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros. Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras”.

Vers. 11 – “Então me disse: Filho do Homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem. Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança: estamos de todo exterminados”.

Aqui vemos o reconhecimento do povo com relação a sua condição de morto e condenado.

Os nossos ossos se secaram e pereceu a nossa esperança.

Sl 32. 3-4 - “Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. 4 Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio”.

Por isso os ossos do povo secaram. Por causa do pecado escondido, por causa da traição e do adultério com outros deuses. (A idolatria)

Vejam o que Davi estava passando – a mesma condição do povo de Israel. Isso por causa do pecado que estava escondido em sua vida.

Jó 7:6 - “Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão e se findam sem esperança”.

Jó 8:13 - “São assim as veredas de todos quantos se esquecem de Deus; e a esperança do ímpio perecerá”.

Será que você está nesta condição hoje?

Será que você é uma daquelas pessoas que estão mortas naquele vale?

Será que você está com a mesma sensação do rei Davi, os meus ossos envelheceram, e eu tenho gemido constantemente no meu quarto buscando um pouco de alívio para minha dor.

Esta é a condição do homem sem Deus, morto a muito tempo. Sem felicidade, sem amor, sem esperança.

Jeremias 17:13 - “Ó SENHOR, Esperança de Israel! Todos aqueles que te deixam serão envergonhados; o nome dos que se apartam de mim será escrito no chão; porque abandonam o SENHOR, a fonte das águas vivas”.

Este é um sentimento de quem está longe de Deus, de quem está com seus ossos envelhecendo.

Mas como disse Jó:

Jó 14. 7-9 - “Porque há esperança para a árvore, pois, mesmo cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus rebentos. 8 Se envelhecer na terra a sua raiz, e no chão morrer o seu tronco, 9 ao cheiro das águas brotará e dará ramos como a planta nova”.

Ao cheiro das águas, não é a água propriamente dita. Se ao cheiro das águas receberá vida, como não ficará esta arvora quando ela tiver contato realmente com a água em si.

Como não ficaremos quando Deus nos der a Água da Vida, que é Ele mesmo.

Salmos 62:5 - “Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa, porque dele vem a minha esperança”.

Salmos 65:5 - “Com tremendos feitos nos respondes em tua justiça, ó Deus, Salvador nosso, esperança de todos os confins da terra e dos mares longínquos”.

Eclesiastes 9:4 - “Para aquele que está entre os vivos há esperança; porque mais vale um cão vivo do que um leão morto”.

Temos que seguir o exemplo de Davi.

Salmos 32.5 “Confessei-te o meu pecado e a minha iniqüidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniqüidade do meu pecado”.

Devemos fazer assim como Davi, para que recebamos a restauração do Senhor, e a vida volte a estar dentro de nós.

Leitura final (Rm 5. 1-11)

Essa é uma interpretação verdadeira sem analogias da visão de Ezequiel, certamente ela pode ser aplicada a muitos contextos, porém, a essencia dela é apenas uma, a aue foi aqui apresentada.
Que Deus os abençoe em nome de Jesus e que tenham uma vida cheia de VIDA!

Pr. Adhemar Junior
Igreja Reformada Siloé
http://www.igrejareformadasiloe.com.br/

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